INVESTIGADOR DE POLÍCIA

No momento de perigo, o cidadão pensa em Deus e na polícia; passado o perigo ele se esquece de Deus e execra a polícia.

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AOS PAVÕES DA POLÍCIA CIVIL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 30/12/2008

 

O DATENA, com seu infinito conhecimento jurídico, policial e sua cultura ilimitada, sempre explica para os seus telespectadores que aquele delegado que está participando do seu programa no momento é um dos melhores delegados de polícia do Brasil. Fico absolutamente surpreso ao ver seus eleitos… normalmente são aqueles que não fazem idéia do que seja um inquérito policial. Mas, andam fardados, e comandam os chamados grupos de elite da polícia civil…

PAVÃO

PAVÃO

Creio que mesmo que o DATENA um dia imaginasse quais são as funções constitucionais da Polícia Civil, ainda assim continuaria falando essas besteiras, pois o ego dos pavões precisa ser constantemente alimentado. Não existissem esses pavões a audiência daquele programa – e outros assemelhados – não seria a mesma. Espero que ao menos eles – os pavões - cobrem direitos de imagem.

Ocorre que esta relação promíscua de alguns policiais com a imprensa normalmente traz muito mais prejuízo à instituição que benefícios. Muitas investigações das quais participei foram prejudicadas por besteiras que algum pavão falou e não devia. O pior é que eles falam sobre coisas que não fizeram como se tivessem participado ativamente da investigação; pedem detalhes para os policiais que efetivamente participaram e os divulgam para quem quiser ouvir como se tudo fosse obra própria.

É um raciocínio típico da meganha: dada a cana, acabou o trabalho por alí. Se esquecem – ou não sabem – que existem parceiros do ladrão para prender; outros crimes do preso para investigar; provas a serem colhidas… e a boca aberta só consegue dificultar o trabalho dos que realmente fazem a Investigação Policial.

Mas o pior é quando revelam os detalhes da investigação. Isso é absurdo. Até mesmo o tira mais tolinho sabe que isso não deve ser divulgado. Mas os pavões não estão nem aí. Se o negócio é aparecer na TV, revelam até o telefone celular da própria genitora, se o DATENA achar que é importante para a “investigação policial” conduzida pelo seu programa.

Infelizmente não consegui o vídeo com os trechos da entrevista do Juiz FAUSTO DE SANCTIS, que foi ao ar ontem (29/12/2008), às 00:00 hs, em que ele discute a confidencialidade necessária e a responsabilidade da imprensa quando o assunto é Investigação Policial. No entanto, a matéria denominada “RAFAEL SERENO: DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DO JORNALISTA“, publicada no blog viomundo, discute exatamente esta parte da entrevista. Sugiro a leitura desta matéria, pois além de interessante, é bastante reveladora.

Já que santo de casa não faz milagres, espero que os pavões também a leiam, e aprendam alguma coisa com pessoas que não são policiais civis.

 

Abraços a todos

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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Recado para o Ministro Eros Grau

Publicado por Flávio Lapa Claro em 17/11/2008

Senhor Ministro:

Ofereço a Vossa Excelência a delícia de uma crônica do Mestre Rubem Alves, que fala sobre a imprensa. Publicada em 2001, permanece atual. Aliás, creio que nunca foi tão atual quanto nos tenebrosos dias em que vivemos.

Talvez em seus próximos julgamentos os fatos divulgados pela mídia passem a ter menos importância do que tiveram no episódio da greve dos policiais civis do estado de São Paulo.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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DE: RUBEM ALVES – disponível em http://www.rubemalves.com.br/seraquealeituradosjornaisnostornaestupidos.htm

Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?

O nome não me era estranho. Eu já o vira de relance em algum jornal ou revista. Mas não me interessei. Aquele nome, para mim, não passava de um bolso vazio. Eu não tinha a menor idéia do que havia dentro dele. Sou seletivo em minhas leituras. Leio gastronomicamente. Diante de jornais e revistas eu me comporto da mesma forma como me comporto diante de uma mesa de bufê: provo, rejeito muito, escolho poucas coisas. Concordo com Zaratustra: “Mastigar e digerir tudo – essa é uma maneira suína.“
Aquele bolso devia estar cheio de coisas dignas de serem comidas – caso contrário não teria sido oferecido como banquete nas páginas amarelas da VEJA. Mas eu não comi. Aí um amigo me enviou via e-mail cópia de uma crônica do Arnaldo Jabor, a propósito do dito nome – crônica que eu li e gostei: sou amante de pimentas e jilós.
Senti-me parecido com o Mr. Gardner, do filme “Muito além do jardim“, com Peter Sellers. Mr. Gardner jamais lia jornais e revistas. Aproximei-me então da minha assessora e lhe perguntei, envergonhado, temeroso de que ela tivesse visto o dito filme, e me identificasse com o Mr. Gardner. “Natália, quem é Adriane Galisteu?“ Esse era o nome do bolso vazio. Ela deu uma risadinha e me explicou. À medida em que ela explicava, as coisas que eu havia lido começaram a fazer sentido, e eu me lembrei de uma estória que minha mãe me contava: uma princesinha linda que, quando falava, de sua boca saltavam rãs, sapos, minhocas, cobras e lagartos… Terminada a explicação, fiquei feliz por não ter lido. Lembrei-me de uma advertência de Schopenhauer: “No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos… Muitos eruditos leram até ficar estúpidos.“ Existirá possibilidade de que a leitura dos jornais nos torne estúpidos?
O que está em jogo não é a dita senhora, que pode pensar o que lhe for possível pensar. O que está em jogo é o papel da imprensa. Qual a filosofia que a move ao selecionar comida como essa para ser servida ao povo?

A resposta é a tradicional: “A missão da imprensa é informar“. Pensa-se que, ao informar, a imprensa educa. Falso. Há milhares de coisas acontecendo e seria impossível informar tudo. É preciso escolher. As escolhas que a imprensa faz revelam o que ela pensa do gosto gastronômico dos seus leitores.

Jornais são refeições, bufês de notícias selecionadas segundo um gosto preciso. Se o filósofo alemão Ludwig Feuerbach estava certo ao afirmar que “somos o que comemos“, será forçoso concluir que, ao servir refeições de notícias ao povo os jornais estão realizando uma magia perversa sobre os seus leitores: depois de comer eles serão iguais àquilo que leram.

Faz tempo que parei de ler jornais. Leio, sim, movido pelo espírito da leitura dinâmica, apressadamente, deslizando meus olhos pelas manchetes para saber não o que está acontecendo, mas para ficar a par do menu de conversas estabelecido pelos jornais. Muita coisa importante e deliciosa acontece sem virar notícia, por não combinar com o gosto gastronômico dos leitores. Se não fizer isto ficarei excluído das rodas de conversa, por falta de informações. Parei de ler os jornais, não por não gostar de ler mas precisamente porque gosto de ler. As notícias dos jornais são incompatíveis com meus hábitos gastronômicos: leio bovinamente, vagarosamente, como quem pasta… ruminando. O prazer da leitura, para mim, está não naquilo que leio mas naquilo que faço com aquilo que leio. Ler, só ler, é parar de pensar. É pensar os pensamentos de outros. E quem fica o tempo todo pensando o pensamento de outros acaba por desaprender a arte de pensar seus próprios pensamentos: outra lição de Schopenhauer. Pensar não é ter as informações. Pensar é o que se faz com as informações. É dançar com o pensamento, apoiando os pés no texto lido: é isso que me dá prazer. Suspeito que a leitura meticulosa e detalhada das informações tenha, freqüentemente, a função de tornar desnecessário o pensamento. Pensar os próprios pensamentos pode ser dolorido. Quem não sabe dançar corre sempre o perigo de escorregar e cair… Assim, ao se entupir de notícias – como o comilão grosseiro que se entope de comida – o leitor se livra do trabalho de pensar.

Confesso que não sei o que fazer com a maioria das notícias dos jornais: entendo as palavras mas não entendo a notícia. Penso: se eu não entendo a notícia que leio, o que acontecerá com o “povão“? Outras notícias só fazem explicitar o que já se sabe. Detalhes, cada vez mais minuciosos, das tramóias políticas e econômicas de um Maluf, de um Jader, nada acrescentam ao já sabido. Esse gosto pela minúcia escabrosa se deriva da pornografia, que encontra seus prazeres na contemplação dos detalhes sórdidos, que são sempre os mesmos, como o comprovam as salas de “imagens eróticas“ da Internet. A dita reportagem sobre a tal senhora e as notícias sobre Jader e Maluf atendem às mesmas preferências gastronômicas. Será que as notícias são selecionadas para dar prazer aos gostos suinos da alma? Por outro lado, há os suplementos culturais que, para serem entendidos, é preciso ter doutoramento. Para o povão, o futebol…

Ao final de sua crônica o Arnaldo Jabor dá um grito: “Os órgãos de imprensa devem ter um papel transformador na sociedade…“ Dizendo do meu jeito: os órgãos de imprensa têm de contribuir para a educação do povo. Mas educar não é informar. Educar é ensinar a pensar. Os jornais ensinam a pensar? Repito a pergunta: Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?

(Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 02/09/2001.)

 

 

 

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LIBERDADE DE IMPRENSA EXIGE RESPONSABILIDADE

Publicado por Flávio Lapa Claro em 05/11/2008

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

LIBERDADE DE IMPRENSA EXIGE RESPONSABILIDADE

Disponível em http://www.estadao.com.br/geral/not_ger272737,0.htm

quarta-feira, 5 de novembro de 2008, 07:26 | Online

1 comentário(s)

Greve de policiais é discutida por mais de 18h na Alesp

RICARDO VALOTA – Agencia Estado

SÃO PAULO – Por volta das 3h30 desta madrugada, depois de mais de 18 horas de sessões na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), deputados estaduais da base do governo e da oposição encerraram por enquanto as discussões em torno dos quatro projetos do governo estadual para que seja encerrada a greve da Polícia Civil, que já dura quase 2 meses. O primeiro dos cinco projetos enviados pelo governador José Serra (PSDB) à Alesp chegou a ir a plenário, mas a votação foi adiada. Serra enviou mensagens aos deputados, pedindo urgência nas votações. O parecer do Projeto de Lei nº 59, que aumenta em 6,5% o salário dos delegados, foi aprovado durante a tarde de ontem nas comissões. Todas as emendas apresentadas pela oposição como forma de atrasar o processo foram retiradas pelo relator, o deputado Roberto Engler, do PSDB, que alegou inconstitucionalidade.

Novamente, na noite de hoje, em sessão ordinária, todos os projetos deverão receber emendas. Uma sessão extraordinária será convocada na seqüência. Amanhã, devem seguir para a apreciação das comissões. Só depois disso, possivelmente na sexta-feira, voltarão ao plenário para ser votados. As discussões entre os parlamentares foram acompanhadas por cerca de 30 policiais civis. O grupo vaiou os votos da base aliada. Em coro, os policiais gritavam pela manutenção da greve. O líder do governo, deputado Barros Munhoz, deu sinais de que a base poderia ceder um pouco, para alterar a proposta, mas negou pressão por parte de José Serra.

Anteontem, os policiais civis decidiram manter a greve, que foi iniciada em 16 de setembro. A categoria quer 15% de aumento para este ano, e outras duas parcelas, de 12%, em 2009 e em 2010. Os projetos do governo concedem 6,5% de aumento em 2009 e o mesmo porcentual em 2010, além de aposentadoria aos 30 anos de serviço e extinção da faixa salarial mais baixa de todas as carreiras da Polícia Civil.

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COMENTÁRIOS NOTÍCIAS RELACIONADAS

NÃO ACREDITO!

Qua, 05/11/08 09:12 , flclaro@estadao.com.br

Simplesmente não consigo acreditar no que estou lendo. O Senhor VALOTA deveria estudar um pouquinho o processo legislativo antes de afirmar besteiras. Só uma visão totalmente deturpada ou tendenciosa pode afirmar que a oposição apresentou emendas como “forma de atrasar o processo”. As emendas foram apresentadas, senhor Valota, porque os projetos de lei complementar não atendem minimamente as nossas reivindicações. Foram apresentadas para sanar flagrantes inconstitucionalidades dos projetos. Foram apresentadas para tentar impedir que uma legislação espúria seja aprovada pela ALESP. Mas o Governo, através da sua bancada, mais uma vez mostrou que, esua concepção, a Constituição e NADA são a mesma coisa. Gozado…exigem que a imprensa seja Livre. Mas não se lembram que liberdade traz consigo responsabilidades… Flávio Lapa Claro Investigador de Polícia DAS/DEIC

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O DONO DA NOTÍCIA

Publicado por Flávio Lapa Claro em 02/11/2008

Domingo, 2 de Novembro de 2008

 

O DONO DA NOTÍCIA

Como o link para o flit foi quebrado, consegui a matéria no Desabafo País(Brasil) - http://desabafopais.blogspot.com 

Disponível em http://desabafopais.blogspot.com/2008/10/ex-jornalista-da-globo-denuncia-operao.html#links

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Ex-jornalista da Globo denuncia
operação pró-Serra 2010

No seu blog, o ex-jornalista da Globo Rodrigo Viana diz que leitores e ouvintes mais atentos perceberam na demissão do âncora da CBN no Rio de Janeiro, Sidney Rezende, os preparativos para a cobertura das eleições 2010. ”A moto-serra dos tucanos vai passar sobre várias cabeças no jornalismo global”, diz Viana, referindo-se a demissão de profissionais que supostamente não concordariam com uma cobertura favorável à candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República em 2010.

“CBN demite âncora independente – Operação 2010 já começou?”, questiona no título do comentário postado. Ele diz não conhecer o jornalista Sidney Rezende pessoalmente, mas que era considerado pelos colegas “como um jornalista que exercia sua independência, apesar de a CBN também estar sob os tentáculos de Ratzinger – o agente das sombras do jornalismo global, o homem que articula a candidatura Serra.” Rodrigo Viana afirmou que conversou com um âncora da CBN, que pediu para não ser identificado, que teve sua cabeça pedida pelo governador de São Paulo. Serra não teria gostado “de entrevista feita pelo âncora com um economista, questionando a forma como a Prefeitura de São Paulo – na época administrada por Serra – investia suas sobras de caixa.”

“Esse outro âncora conseguiu preservar a cabeça sobre o pescoço. E segue fazendo bom jornalismo. Até quando?”, volta a questionar. O jornalista também coloca em evidência a demissão de Luiz Carlos Braga da Globo de Brasília e diz que a operação desencadeada lembra o que foi feito em 2006. “Há dois anos, às vésperas da eleição presidencial, a Globo livrou-se do comentarista Franklin Martins (ele conta os bastidores completos, numa bela entrevista à revista Caros Amigos) porque este não fechava com a linha oficial da emissora de sentar a pancada em Lula, e dar aquela mãozinha pros tucanos”, lembra Viana.

Após a demissão de Franklin Martins, Viana se coloca na lista de outros jornalistas que foram “limados” por discordarem da conduta jornalística da emissora na cobertura das eleições. Constam dessa relação Luiz Carlos Azenha, Carlos Dornelles e o editor de política Marco Aurélio Mello. ”As Organizações Globo estão demitindo todos os jornalistas moderados, isentos. Será um tiro no pé se a Lucia Hippolito assumir o lugar do Sidney. Primeiro porque ela é de São Paulo, agora mora no Rio e sempre morou na zona sul e não conhece o subúrbio, zona norte, oeste, etc, ao contrário do Sidney que morou em Bangú. Segundo porque todos sabem que as opiniões dela não são isentas, sempre com viés partidário tucano”, comentou Stanley Burburinho, um leitor do blog rodrigoviana.com.br

Sem detalhes, diretora nega motivação política – No mesmo espaço, a diretora executiva de jornalismo da emissora, Marisa Tavares, negou a motivação política da demissão. Num curto comunicado, ela diz que a direção da CBN tomou a decisão baseada “em novos desafios que surgiram para a programação e agradeceu a Sidney Rezende pela dedicação à emissora. “Gostaria apenas de observar que todos os profissionais da CBN compartilham os mesmos valores e trabalham para, diariamente, levar a seus ouvintes e internautas um noticiário isento e de credibilidade. O próximo responsável pela ancoragem do CBN Rio não se distanciará minimamente deste código que pauta nossa conduta”, diz a diretora. De Brasília, Iram Alfaia – Vermelho.

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O CONTROLE DA MEDIA

Publicado por Flávio Lapa Claro em 02/11/2008

Domingo, 2 de Novembro de 2008

 

O CONTROLE DA MEDIA (matéria de 19/12/2006)

Disponível em http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1309377-EI6584,00.html 

Terça, 19 de dezembro de 2006, 18h36
Demitido, repórter da Globo critica direção
Demitido, Rodrigo Vianna, repórter da TV Globo, critica a direção da emissora.
Leia também:
» Resposta do diretor de jornalismo da TV Globo

Em nota, a TV Globo diz que Rodrigo Vianna encaminhou a mensagem após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado.

Leia íntegra da carta de Rodrigo Vianna:

LEALDADE

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar – ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: “você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros”. Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos – sim – bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: “olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás”.

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política – da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: “o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto”.

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os “aloprados do PT” aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: “por que não vamos repercutir a matéria da “Istoé”, mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?”

Por que isso, por que aquilo… Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de “petistas” e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do “governo anterior”, acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o “petista” Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as “suspeitas”, e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente… A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada…).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do “dossiê”. Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas “desagradáveis”. A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores…

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa – as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele… Mas, a Globo não pôs no ar… O portal “G-1″ botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a “CartaCapital” ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da “CartaCapital”. Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista “Quatro Rodas” dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição…

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de “pretos e pardos”. Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha…

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como “concubinas” ou “amásias”. Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de “turcos” pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de “Parada dos Pederastas”. Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

“(…)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança”.

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas… Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo – sim – no Brasil.

E vejam o vocabulário: “lealdade e confiança”. Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da “lealdade”.

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi “leal” com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

“Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando”.

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na “geladeira”. Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação – especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus “colaboradores” (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas – “colaboradores”, essa é boa… Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo – no Jornalismo, especialmente – não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem…

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha – nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada – o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces…

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós – nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia “vallet park”, nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas…

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem “lealdade”; parecem “poderosos chefões” falando com seus seguidores… Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua – UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores – que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem – acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica – sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter – com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna.

Terra Magazine

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SUGESTÕES PARA O TRATO COM A IMPRENSA

Publicado por Flávio Lapa Claro em 27/10/2008

SUGESTÕES PARA O TRATO COM A IMPRENSA

Preciso perder o hábito. Ao final de cada manifestação do nosso movimento, chego em casa e acabo com as pilhas do controle remoto da TV tentando avaliar a repercussão da manifestação na mídia. Hoje, mais uma vez, o comum se repetiu: quem noticiou a manifestação preferiu informar que o trânsito ficou complicado por nossa causa. Exceção, por incrível que pareça: SPTV. O destaque foi para um desentendimento causado por alguns motoboys que tentaram furar a passeata e foram devidamente reprimidos por colegas que se sentiram ameaçados.
Querem é sangue. Não lhes importa a verdade. Se a meganha estivesse na rua com gás e anti-motim, com certeza nossa manifestação teria destaque em toda a mídia.
Creio que devamos tomar uma atitude a esse respeito.
Quem é, entre nós, que nunca atendeu a um telefonema, às duas da madruga, originado deste ou daquele órgão da imprensa, perguntando se havia novidades? Eles dependem de nós para terem a notícia. Sem a nossa participação, alguns programas do estilo do Brasil Urgente não sobreviveriam. Alguns jornais, idem.
Minha sugestão é que as entidades representativas façam uma classificação dos órgãos de imprensa, em cada região do estado, usando os seguintes critérios:
TIPO I – Órgão da imprensa cuja linha editorial apóia nosso movimento;
TIPO II – Órgão da imprensa cuja linha editorial é neutra, mostrando a realidade do que acontece e ouvindo os dois lados, sem apoiar nenhum;
TIPO III – Órgão da imprensa que só tomou conhecimento do movimento quando houve o confronto com a PM (Caso do Brasil Urgente, por exemplo), não tendo noticiado o movimento antes nem depois daquele fato;
TIPO IV – Órgão da imprensa cuja linha editorial é francamente favorável à posição do Governador e, conseqüentemente, contrária à nossa posição.
Feita esta classificação, que TODOS os policiais sejam orientados a:
I – Só informarem sobre feitos da Polícia aos órgãos da imprensa classificados como tipo I ou II;
II – Não passarem qualquer informação sobre feitos da Polícia aos órgãos da imprensa dos tipos III e IV, sugerindo que para a obtenção da informação seja procurada a assessoria de imprensa da SSP:
III – No caso de necessidade de se dar qualquer entrevista aos órgãos da imprensa dos tipos III e IV, seja por determinação superior, seja por interesse de divulgação do caso para possível elucidação do mesmo, a primeira parte da entrevista deverá ser uma explicação sobre o nosso movimento. Se após a entrevista essa parte não for ao ar, condenar definitivamente aquele órgão da imprensa, se recusando a receber os seus representantes, a não ser para entrevistas ao vivo, quando o entrevistado exporá os detalhes dos motivos da greve.
IV – Informar aos órgãos de imprensa que esse procedimento será mantido mesmo depois do término da greve, não importando o resultado da mesma.
Em sendo aceita a sugestão, os Sindicatos e Associações deverão divulgar amplamente a decisão, entre os seus representados e para a imprensa, e, se os respectivos estatutos assim o permitirem, fiscalizar aqueles que agirem de forma diferente da recomendada, tomando as providências cabíveis (conselhos de ética, divulgação entre seus pares, etc.).

Abraços a todos, e até a vitória final.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia.
DAS/DEIC

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QUEM MATOU ELOÁ ?

Publicado por Flávio Lapa Claro em 24/10/2008

QUEM MATOU ELOÁ?

Após o trágico desfecho do caso que durante dias ocupou mais espaço na mídia que a crise financeira mundial, diversos “especialistas” disso ou daquilo vão a público fazendo análises altamente retóricas que conduzem a julgamentos e condenação deste ou daquele.
Morro de rir ao ver pessoas que não fazem a menor idéia do que seja a POLÍCIA tecendo altas críticas a POLICIAIS altamente treinados; críticas estas baseadas unicamente no que foi visto ou ouvido pela mídia. No entanto, opinam como se tivessem o conhecimento total do acontecimento. NUNCA foram policiais. Não imaginam o conflito causado quando se é obrigado a matar alguém – mesmo que para defender a vida de um terceiro. Não fazem idéia do que seja tentar convencer um criminoso – que foi promovido a santo pela mídia, até apertar o gatilho – que aquilo que ele está fazendo não deve ser feito daquela forma.
Não é só o que se fala…há que se analisar como se fala. Não é só o que se fala e como se fala… há que se concretizar algumas ações.
Neste caso a Polícia foi impedida de desenvolver o seu trabalho de forma satisfatória.
O policial encarregado da conversação com o criminoso foi, muitas vezes, impedido de manter contato por telefone, pois algum IMBECIL achou que a audiência deste ou daquele programa de televisão é mais importante que a vida das pessoas envolvidas. Algum IMBECIL se julgou melhor negociador que aqueles policiais altamente treinados cuja única função é intervir nesse tipo de crise. Todo o resultado positivo que porventura pudesse ser obtido pelo policial do GATE foi por água abaixo porque o IMBECIL resolveu intervir. Tudo teve que ser reiniciado.
Criticam os policiais que lá estavam por não terem invadido o apartamento antes do que foi feito. Criticam os policiais que lá estavam por terem invadido o apartamento.
Numa ação desse tipo a surpresa é elemento essencial. Se o criminoso não for pego de surpresa, ele tem tempo para agir. O risco para a vítima – e para os policiais – aumenta exponencialmente.
Os imbecis da imprensa, se digladiando por pontos do IBOPE, mantiveram suas câmeras e microfones transmitindo ao vivo TUDO o que ocorria na cena. Mostraram, ao vivo, os policiais posicionando o artefato na porta do apartamento. Mostraram, ao vivo, toda a movimentação dos policiais, durante todo o tempo que durou o evento. Sabiam que o criminoso poderia estar assistindo à televisão. IMPEDIRAM que os policiais desempenhassem suas funções.
Deu no que deu.
ACUSO a imprensa em geral, e muitos repórteres IMBECIS em particular, de terem matado ELOÁ. ACUSO os tais especialistas de serem IMBECIS que ganham dinheiro falando sobre assuntos sobre os quais seu conhecimento é absolutamente limitado. Se um dia eles forem policiais, talvez, após muito treinamento e experiência, consigam realmente se tornarem especialistas, como são os profissionais que lidaram com aquele assunto da melhor forma que as circunstâncias permitiram.
Será que vocês conseguem dormir em paz?

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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