Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
GREVE ACABA, MAS PROBLEMA CONTINUA
Greve acaba, mas problema continua18/11/2008 15:35:19
O governo tucano de São Paulo não arredou pé diante da greve dos policiais civis. A categoria continua sendo uma das mais mal-remuneradas do país. Remuneração e satisfação andam juntas, com reflexo direto na eficiência.
Que o governador José Serra é vingativo e turrão todo mundo já sabia. Mas passou dos limites ao peitar os policiais civis que recebem os menores salários do Brasil. Faz mais de dez anos que a categoria não recebe um aumento real sequer, e faz 18 anos que o PSDB está empoleirado no Palácio dos Bandeirantes.
Os policiais têm razões de sobra para reclamar de seus parcos salários. Desempenham funções de alto risco sem a devida compensação. A insatisfação é de toda a polícia paulista, Civil e Militar, mas esta última se sujeita a regime especial, se subordina a códigos disciplinares diferenciados e fica impedida de promover paralisações.
Esta semana, circulou pela Internet um manifesto/esclarecimento sobre a dura vida dos policiais do Estado de São Paulo. É uma série de “Você sabia?” que revela peculiaridades da carreira quase nunca divulgadas à população, maior interessada na segurança pública.
Por exemplo: policiais (civis e militares) com décadas de carreira continuam trabalhando porque, se requererem aposentadoria, receberão 40% a menos em seus vencimentos, e isso acontece também com aqueles que se aposentam por invalidez (inclusive as provocadas durante o serviço) e com a pensão deixada às viúvas e filhos (inclusive quando mortos em serviço). Mais exemplos: policiais (civis e militares) não recebem horas extras nem adicionais noturnos; policiais (civis e militares) são obrigados a manter limpas suas viaturas, mas para isso têm que mendigar à comunidade, pois não há recursos previstos para essa manutenção; policiais (civis e militares) são proibidos de exercer outras atividades profissionais, nem os ‘bicos’ em segurança particular, ficando impedidos de complementar seus baixos salários.
Tão logo o ministro Eros Grau, do STF, decretou a ilegalidade da greve e determinou o imediato retorno ao trabalho, um delegado de Polícia disse à reportagem de uma tevê que o “aumento” dado por Serra representará apenas R$ 42,00 a mais em seu holerite.
Pelo menos uma dúvida foi esclarecida: os sucessivos governos paulistas, todos tucanos, desmantelaram a segurança pública. Agora é rezar e ver no que vai dar.
Editorial







A Lei Complementar nº 929/2002 que institui o Nível Universitário para ingresso nas carreiras de Escrivão e Investigador de Polícia, encontra-se no Supremo Tribunal Federal, está sob judici e, sem decisão da sua constitucionalidade, portanto não foi revogada.