INVESTIGADOR DE POLÍCIA

No momento de perigo, o cidadão pensa em Deus e na polícia; passado o perigo ele se esquece de Deus e execra a polícia.

- Os grupos de elite da Polícia Civil

OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL

Ao revisar o artigo denominado “Aos pavões da Polícia Civil”, publicado no blog Investigador de Polícia, não resisti à tentação e saí pela web procurando definições de ELITE, para descobrir por qual motivo insistem em chamar o GARRA e o GOE de “grupos de elite da Polícia Civil”.

Antes de iniciar a pesquisa, a minha concepção de ELITE era: grupo composto pelos melhores em alguma atividade humana. Por isso, não me conformava quando alguém – principalmente os da estirpe do DATENA – designava aqueles que sequer exercem a atividade típica de Polícia Judiciária como sendo os melhores da Polícia Civil.

Apesar de não ter me aprofundado na pesquisa – artigos acadêmicos sobre o assunto existem aos montes – um dos artigos que li, que não pode ser chamado de acadêmico, torna bastante fácil a compreensão do assunto.

Reproduzo aqui a íntegra de uma breve discussão encontrada na Wikipédia, que me pareceu bastante consubstanciada pelo autor:


Elite (sociologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Segundo Thomas B. Bottomore, a palavra elite era usada durante o século XVIII para nomear produtos de qualidade excepcional. Posteriormente, o seu emprego foi expandido para abarcar grupos sociais superiores, tais como unidades militares de primeira linha ou os elementos mais altos da nobreza. Gaetano Mosca, pensador político italiano, foi o primeiro grande teórico da teoria das elites com sua doutrina da classe política. A Teoria das Elites foi plasmada no pensamento de Gaetano Mosca com sua doutrina da classe política; Vilfredo Pareto com sua teoria da “circulação das elites” e Robert Michels com sua concepção da “lei de ferro da oligarquia”.

Elite, de modo geral, pode ser considerado como um grupo dominante na sociedade. Especificamente, o conceito possui diversas definições. Para alguns autores, como Vilfredo Pareto, elite significa uma alternativa teórica ao conceito de classe dominante de Karl Marx. Pode também referir-se a um grupo situado em uma posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e econômica, como definido por Charles Wright Mills. Pode significar genericamente um grupo localizado em uma camada hierárquica superior em uma dada estratificação social. Pode ser o grupo minoritário que exerça uma dominação política sobre a maioria dentro de um sistema de poder democrático, tal como definido por Robert Dahl.

Elitepode ser uma referência genérica a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendido simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas ou econômicas.

Pode ainda designar aquelas pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da sociedade. Neste caso, elite seria um sinônimo tanto para liderança quanto para formadores de opinião.

Outra forma de identificar uma elite é aproximando-a da categoria intelectual da classe dirigente, ou seja, um intelectual orgânico, tal como definido por Antonio Gramsci. Neste caso, a idéia de formar opinião pública é substituída pela idéia de construção ideológica, entendida como a direção política em um dado momento histórico. Sob este aspecto, a elite cumpriria também o papel de dirigente cultural.

Atualmente, a palavraelite é normalmente entendida como a classe social com maior poder econômico, muito criticada pelo socialismo e por grupos de esquerda.


O artigo acima reproduzido condensa de forma bastante ampla as diversas definições que encontrei. Como eu imaginava, o GARRA e o GOE não se enquadram em NENHUMA DEFINIÇÃO de ELITE

O grande problema em continuarem usando a expressão “grupos de elite da Polícia civil” para designar o GARRA e o GOE é a indução da população a erro. Até mesmo pessoas muito mais esclarecidas que o DATENA (existem às pencas) – até mesmo integrantes das elites, seja qual for o significado correto da palavra a ser adotado – não sabem distinguir as funções da Polícia Civil e da Polícia Militar. Jogam tudo em um mesmo saco e chacoalham…o que torna a Investigação Policial uma atividade ainda mais difícil e complexa do que seria normalmente.

Não é nada incomum uma vítima ou testemunha, ao ser ouvida na delegacia, ou mesmo na rua, deixar de informar fatos extremamente relevantes para a investigação ao policial que está encarregado da apuração de algum fato específico por não imaginar que o meganha ou o “policial de elite” para quem a informação já foi passada não tem nada a ver com a investigação do fato.

Também não é incomum os colegas da meganha e da elite policial civil meterem os pés pelas mãos, principalmente os delegados dos citados grupos que, ávidos pelos louros que porventura possam advir de uma cana (entrevistas para o DATENA, por exemplo), tentam, sem quaisquer condições para isso, fazer o que não sabem, ou seja, INVESTIGAÇÃO POLICIAL.

Tudo isso apenas reforça a minha convicção de que a existência dos chamados “grupos de elite da polícia civil” é uma aberração institucional e jurídica. E a atuação do DGP (ou Comandante Geral da Polícia Civil), inventando rondas e operações todos os dias, impedindo que os policiais que trabalham efetivamente com a investigação de crimes possam exercer a sua função, me faz repetir o que já afirmei uma vez: o atual DGP (ou CGPC, como queiram) seria um ótimo oficial da meganha. Mas precisa rever os seus conceitos para que a instituição por ele dirigida possa minimamente cumprir com as suas funções de Polícia Judiciária.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

*Publicado em 31/12/2008
**Disponível para download no formato .pdf: Os grupos de elite da Polícia Civil