- Aos pavões da Polícia Civil
AOS PAVÕES DA POLÍCIA CIVIL
O DATENA, com seu infinito conhecimento jurídico, policial e sua cultura ilimitada, sempre explica para os seus telespectadores que aquele delegado que está participando do seu programa no momento é um dos melhores delegados de polícia do Brasil. Fico absolutamente surpreso ao ver seus eleitos… normalmente são aqueles que não fazem idéia do que seja um inquérito policial. Mas, andam fardados, e comandam os chamados grupos de elite da polícia civil…
Creio que mesmo que o DATENA um dia imaginasse quais são as funções constitucionais da Polícia Civil, ainda assim continuaria falando essas besteiras, pois o ego dos pavões precisa ser constantemente alimentado. Não existissem esses pavões a audiência daquele programa – e outros assemelhados – não seria a mesma. Espero que ao menos eles – os pavões – cobrem direitos de imagem.
Ocorre que esta relação promíscua de alguns policiais com a imprensa normalmente traz muito mais prejuízo à instituição que benefícios. Muitas investigações das quais participei foram prejudicadas por besteiras que algum pavão falou e não devia.
O pior é que eles falam sobre coisas que não fizeram como se tivessem participado ativamente da investigação; pedem detalhes para os policiais que efetivamente participaram e os divulgam para quem quiser ouvir como se tudo fosse obra própria.
É um raciocínio típico da meganha: dada a cana, acabou o trabalho por alí. Se esquecem – ou não sabem – que existem parceiros do ladrão para prender; outros crimes do preso para investigar; provas a serem colhidas… e a boca aberta só consegue dificultar o trabalho dos que realmente fazem a Investigação Policial.
Mas o pior é quando revelam os detalhes da investigação. Isso é absurdo. Até mesmo o tira mais tolinho sabe que isso não deve ser divulgado. Mas os pavões não estão nem aí. Se o negócio é aparecer na TV, revelam até o telefone celular da própria genitora, se o DATENA achar que é importante para a “investigação policial” conduzida pelo seu programa.
Infelizmente não consegui o vídeo com os trechos da entrevista do Juiz FAUSTO DE SANCTIS, que foi ao ar ontem (29/12/2008), às 00:00 hs, em que ele discute a confidencialidade necessária e a responsabilidade da imprensa quando o assunto é Investigação Policial. No entanto, a matéria denominada “RAFAEL SERENO: DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DO JORNALISTA“, publicada no blog viomundo, discute exatamente esta parte da entrevista. Sugiro a leitura desta matéria, pois além de interessante, é bastante reveladora.
Já que santo de casa não faz milagres, espero que os pavões também a leiam, e aprendam alguma coisa com estranhos à Polícia Civil.
Abraços a todos
Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC
*Revisado pelo autor em 30/12/2008;
**Disponível para download no formato .pdf: Aos Pavões da Polícia Civil







Sérgio José da Silva disse
O desabafo do Sr. Flávio é procedente na medida em que policiais civis e Autoridades Policiais violem o segredo profissional durante entrevistas à mídia. A obrigação de informar a sociedade é tarefa Institucional e, para isso, deveria estar dotada de órgão técnico especializado para desincumbir-se da tarefa. A estruturação desse Órgão deverá conter profissionais desvinculados dos Órgãos de comunicação que são empresas jornalísticas interessadas no lucro advindo da comercialização da propaganda de produtos e serviços.
As autoridades policiais e seus agentes que estiverem vinculados à investigação devem ser proibidos de conceder entrevistas, seja para evitar-se a divulgação de sigilo profissional, coarctando, ao mesmo tempo, promoção pessoal de sua imagem e cargo, neutralizando eventuais benesses, dentro e fora da Administração. O controle da atividade policial pela própria Instituição há de impedir que as diligências futuras sejam mantidas em sigilo, proibindo-se que a mídia conheça sua realização previamente, a fim de impedir que tais diligências sejam acompanhadas por quaisquer órgãos da imprensa. Se as Instituições Policiais existentes impedir a divulgação prévia das diligências e houver sanções para notícias e entrevistas desautorizadas as investigações haverão de ser melhor-sucedidas.