INVESTIGADOR DE POLÍCIA

No momento de perigo, o cidadão pensa em Deus e na polícia; passado o perigo ele se esquece de Deus e execra a polícia.

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Os maçanetas, os apanhas, os recolhas e os cadeirantes

Publicado por Flávio Lapa Claro em 10/01/2009

DO LIGEIRINHO

A maçaneta é quase uma instituição nacional, a figura do “maçaneta” está sempre presente nas nossas vidas desde a mais tenra idade, há maçanetas desde a escola primária. Não sei se a importância deste comportamento na nossa sociedade é uma herança dos tempos da ditadura, onde era quase uma instituição, ou se faz parte da nossa forma de ser. O maçaneta é, em regra, um indivíduo que prescinde da sua dignidade para obter proveitos exibindo uma postura de subserviência e lealdades caninas, desta forma obtém como contrapartida a simpatia de quem manda, permitindo-lhe obter ganhos para além dos que alcançaria com as suas capacidades ou com manifestações de dignidade. Caso mais específico do “apanha”ou do “recolhe”como os são conhecidos no meio policial.

Os tais maçanetas a que nos habituamos na infância vamos encontrá-los ao longo da vida, principalmente no emprego de policial, em quase todas as delegacias, onde dar propina e também receber pode resultar em proveitos adicionais. Há maçanetas e cadeirantes por todo o lado, mas em especial na Administração Pública já que as empresas vivem dos resultados e não podem prescindir dos mais capazes em favor dos “maçanetas” e dos incompetentes.

Onde há mesmo uma grande concentração de maçanetas é nos cargos dirigentes da nossa amada polícia civil de São Paulo, em especial nas delegacias, ditas especializadas… “Não admira que na burocracia interna do Estado sejam freqüentes expressões como “DEIXA QUIETO, ENVIE PARA AS CONSIDERAÇOES DO CHEFE” é ele que melhor decidirá”, “à consideração superior” e muitas outras, desnecessárias, mas que servem como manifestação permanente de obediência e por que não dizer de subserviência.

Os gabinetes do poder estão mesmo pejados de aduladores, bajuladores, puxa-sacos e outros que infestam a instituição policial. Gente a quem não passa pela cabeça a mais pequena critica ao “chefe” e que se desdobram em gestos de subserviência. Os tiras badboys acabam por ser a reencarnação política dos maçanetas que conhecemos na nossa primeira delegacia, logo no início de nossas carreiras.

A necessidade de bajular o chefe da delegacia é tão grande que leva a que muita gente perca a noção da realidade, os próprios policiais cadeirantes vivem num mundo em que são considerados quase deuses, não sendo raros os que só se apercebem, do que o povo pensava mesmo deles no dia dos bondes, só quando toma uma “ripa”.

Não admira que num mesmo mês os maçanetas de plantão, com a ajuda dos cadeirantes classe especial, deram mais uma forcinha para tentar aniquilar com o nosso querido jornal… FLIT PARALISANTE, nós bem sabemos que o Delegado Roberto Conde Guerra, é que nem baygon… Mata tudo, o propósito do FLIT, também, só que lá no FLIT PARALISANTE os insetos são maiores.

LIGERINHO
Direto da sucursal do Jardim Chove Balas

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CENSURARAM O FLIT DE NOVO !!!

Publicado por Flávio Lapa Claro em 10/01/2009

Mais uma vez um juiz manda tirar do ar um blog do Dr. Guerra. Mas… o FLIT PARALISANTE não desiste.

Desta vez…os autores da ação são: JOSÉ SERRA E OUTROS…

STRIKES AGAIN

STRIKES AGAIN

LEIA NO FLIT PARALISANTE !!!

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CONCURSO IP 1/2008 – RESULTADOS

Publicado por Flávio Lapa Claro em 08/01/2009

A ACADEPOL divulgou a lista dos aprovados na prova preambular do IP-01/2008.

Veja se você foi aprovado, clicando em http://www.policiacivil.sp.gov.br/2008/resultado/Aprovadoslist.asp, ou consulte a LISTA DOS APROVADOS NA PROVA PREAMBULAR DO IP-01/2008

MEUS PARABÉNS AOS APROVADOS, e boa sorte nas próximas fases do concurso.

Abraços
Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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ALMANAQUE 2009 PUBLICADO HOJE NO D.O.

Publicado por Flávio Lapa Claro em 07/01/2009

ALMANAQUE 2009

Foram publicadas hoje no Diário Oficial do Estado – Caderno 2 – as listas nominais de classificação por tempo de serviço dos integrantes das diversas carreiras policiais.

Consulte o Diário Oficial para maiores detalhes.
As listas de Investigador de Polícia estão disponíveis para download neste blog. Clique em Almanaque para verificar sua classificação.

Abraços

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC
http://investigadordepolicia.blog.br

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JUSTIÇA RASGA A CONSTITUIÇÃO

Publicado por Flávio Lapa Claro em 07/01/2009

CONSTITUIÇÃO RASGADA!

ACORDA, AMOR… EU TIVE UM PESADELO, AGORA… SONHEI QUE TINHA GENTE LÁ FORA FAZENDO CONFUSÃO… QUE AFLIÇÃO !!!
Seguindo a mesma linha da Justiça do Estado de São Paulo, que determinou a retirada do ar do blog FLIT PARASILANTE (é paraSILAnte, mesmo) do Dr. Roberto Conde Guerra, durante a greve dos Policiais Civis do Estado de São Paulo, a Justiça de Santa Catarina, atendendo pedido do Governador do Estado, determinou a retirada do ar de dois sites da Associação de Policiais Militares de Santa Catarina, que entraram em greve no final de 2008.
Tempos negros se aproximam. O Artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil está sendo rasgado com uma freqüência assustadora; a relação promíscua do Poder Executivo com alguns setores do Poder Judiciário nos leva a perder a esperança de um dia conseguirmos exercer os nossos direitos de CIDADÃOS de uma sociedade onde a estrita observação da LEI por aqueles que estão no Poder seja uma regra, não uma exceção.
O cerceamento do direito à livre expressão é uma AFRONTA ao Estado Democrático de Direito. Quando a Justiça é conivente com tal cerceamento, seja qual for a desculpa, o Estado Democrático de Direito deixa de existir.
Estamos vivendo situações interessantíssimas: o Ministro Eros Grau determina o imediato retorno dos Policiais Civis do Estado de São Paulo ao trabalho, baseado em um pedido feito pelo Governo do Estado de São Paulo e pelo que leu ou ouviu na mídia (leia-se no PIG), sem sequer ouvir o outro lado; o Supremo Presidente do Supremo faz o que quer, sem dar a mínima para o Código de Ética da Magistratura, e fica tudo certo; a censura recebe apoio da Justiça; a greve é proibida…
O negócio é renovar o passaporte, deixar a mochila pronta e dormir com um dos olhos abertos. Porque posso garantir que a DITADURA, mesmo sem ser a militar, não é um bom negócio. E qual é a situação de um país cuja Constituição é rasgada justamente por quem tem a obrigação de defendê-la ?
Não quero o cálice que o Chico implorava dele fosse afastado, de novo. Estou velho demais para isso.
Abraços
Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

Justiça tira sites de PMs do ar em SC; categoria deve voltar a protestar

A Justiça de Santa Catarina determinou a retirada do ar de dois sites da associação de policiais militares de Santa Catarina, que paralisou parte das atividades da corporação nos últimos dias de 2008.

A suspensão das páginas foi pedida pelo governo do Estado, que argumentou que os policiais incitavam pela internet a greve na corporação, o que é ilegal. O governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) também quer a dissolução da entidade, chamada Aprasc (Associação de Praças do Estado de Santa Catarina), mas a Justiça ainda não tomou nenhuma decisão sobre o pedido.

Após seis dias de paralisações em protesto por aumentos salariais, o movimento dos policiais militares concordou, no último dia 27, em suspender as manifestações até hoje, mas pode voltar a protestar.

O governo inicialmente conseguiu na Justiça a retirada do site oficial da instituição (www.aprasc.org.br). Os integrantes da associação, que reúne PMs e bombeiros, criaram, então, um endereço alternativo para divulgar as posições da entidade. O site acabou suspenso pela Justiça no último dia 2. A associação ficou proibida de criar sites alternativos.

O deputado estadual e presidente da entidade, Amauri Soares (PDT), disse que houve censura. Ele afirmou que a categoria vai retomar as manifestações hoje, mas sem paralisar as atividades da PM. Acampamentos devem ser montados em Florianópolis e no interior.

Durante o protesto em dezembro, os manifestantes e seus familiares chegaram a suspender o serviço 190 em parte do Estado e a montar piquetes para bloquear a entrada em quartéis da PM.

Os manifestantes pedem o cumprimento imediato de uma lei aprovada em 2003, que prevê aumento salarial de 96%. Segundo o governo, a lei não estabelece prazo para o reajuste e vincula o aumento à disponibilidade orçamentária.

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O INVESTIGADOR DE POLÍCIA ESTÁ MUDANDO

Publicado por Flávio Lapa Claro em 06/01/2009

O blog INVESTIGADOR DE POLÍCIA está mudando de endereço.

Agora em domínio próprio, e baseado no wordpress 2.7, que vai dar maior versatilidade na manutenção, atualização e design no blog.

Todos os arquivos já foram transferidos para o novo endereço: http://investigadordepolicia.blog.br . Estou concluindo a formatação do novo blog, mas ele já está no ar.

CRONOGRAMA DAS MUDANÇAS:

  • Dia 10 de janeiro de 2009: A partir desta data, não atualizarei mais este blog. Todas as atualizações só serão efetuadas no novo endereço.
  • Dia 31 de janeiro de 2009: Desativação total do blog neste endereço (http://otira.wordpress.com).

VISITE O NOVO INVESTIGADOR DE POLÍCIA !

Abraços
Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia

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REESTRUTURAÇÃO DAS CARREIRAS

Publicado por Flávio Lapa Claro em 06/01/2009

Disponível em: http://www.investigadordepolicia.blog.br/projetoseleis/reestruturacao-das-carreiras

REESTRUTURAÇÃO DAS CARREIRAS

I – APOSTILAMENTOS NA QUARTA CLASSE – D.O. 6 DE JANEIRO DE 2009 CADERNO 2

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GILMAR MENDES E A ÉTICA PROFISSIONAL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 03/01/2009

O Luís Nassif fez uma análise sobre como comportamento do Supremo Presidente do Supremo infringe diversos artigos do Código de Ética da Magistratura, no blog Conversa afiada. O artigo está muito interessante…

Disponível em http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=3352 .

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QUEM MERECE PROMOÇÃO?

Publicado por Flávio Lapa Claro em 02/01/2009

Reproduzo abaixo artigo publicado no Estadão, em 31/12/2008, na coluna OPINIÃO.

(disponível em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081231/not_imp300916,0.php )

O balanço da Polícia Civil

Embora a Polícia Civil de São Paulo tenha feito greve durante 59 dias, entre junho e agosto – a mais longa paralisação já deflagrada pela corporação -, o ano de 2008 termina com um saldo bastante positivo no campo da segurança pública. O levantamento preliminar que o governo estadual acaba de divulgar mostra importantes avanços no combate ao crime organizado, especialmente em matéria de seqüestro com uso de cativeiro e pedido de resgate à família da vítima.

Esse tipo de delito, que aumentou significativamente no início da década, quando ladrões de banco
descobriram que ele dava mais retorno do que assaltos a carros-forte e agências, caiu cerca de 40% entre 2007 e 2008. Foi a queda mais significativa entre os crimes considerados violentos, superando até mesmo a redução das taxas de homicídio. Pelas estatísticas da Secretaria da Segurança Pública, apenas um em cada quatro seqüestros realizados este ano no Estado de São Paulo terminou em pagamento de resgate. E em nenhum deles as quadrilhas obtiveram da família mais do que R$ 100 mil.

O valor médio dos resgates foi de apenas R$ 15 mil – um valor considerado muito baixo pelas quadrilhas, uma vez que a realização de um seqüestro exige altos “investimentos”, envolvendo compra ou aluguel de armas, aluguel de cativeiro e gastos com vigilância e alimentação do seqüestrado. “O valor do pagamento dos resgates neste ano ficou em apenas 2% do total exigido. Com isso, o crime passou a não compensar”, dizem o chefe da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), Wagner Giudice, e o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Youssef Abou Chain.

Desde 2001, quando o DAS foi criado, foram presos 1.355 seqüestradores e descobertos 388 cativeiros. As duas maiores quadrilhas especializadas foram desarticuladas entre novembro de 2007 e julho de 2008. O seqüestro, afirmam Giudice e Chain, é um dos três tipos de crime com maior índice de esclarecimento no Estado de São Paulo (os outros dois são roubo a banco e homicídio). “O seqüestro é um crime que deixa muitos rastros. Ele não dá para se praticar sozinho. Quanto maior é a quadrilha, maior será a chance de alguém ser descoberto. Além disso, as penas a que os bandidos estão sujeitos são altas, ficando entre 15 a 20 anos de prisão, em média”, diz Giudice.

Com o aumento da eficiência da Polícia, a queda no pagamento dos resgates e a desarticulação das duas maiores quadrilhas especializadas, os seqüestradores estariam migrando para outros tipos de crime, especialmente para o tráfico de drogas, diz o chefe do Deic. “Hoje, bandidos que seqüestram são aventureiros ou remanescentes de antigas quadrilhas que tentam iniciar o próprio grupo”, afirma o chefe do DAS, que em dezembro cuidava de quatro casos em andamento.

Além da significativa redução no número de seqüestros, as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública revelam um importante avanço na repressão a desmanches de automóveis roubados e no combate à falsificação e ao contrabando. Para tentar coibir furto de veículos, a estratégia da Polícia foi concentrar a atenção nos desmanches clandestinos, dos quais a maior parte está situada na zona leste da capital. “Não queremos mais apreender um carro. Queremos agir com inteligência. Colocamos rastreador no carro roubado e o seguimos até o desmanche ou seu destino final. Com isso, prendemos em flagrante os chefes do bando”, afirma o delegado Youssef Abou Chain.

A Polícia Civil apreendeu em 2008 mais de 28 milhões de “itens piratas”, como CDs, DVDs, perfumes, canetas, jogos eletrônicos, roupas, bolsas, calçados e produtos de informática vendidos por camelôs e shoppings populares. Em 2007, haviam sido apreendidos 9,3 milhões de itens. O aumento da eficiência policial, no combate a este tipo de crime, foi a melhor articulação entre o Deic e o Instituto de Criminalística, cujos peritos passaram a fornecer os laudos da constatação de falsificação ou pirataria no momento do flagrante. Até então, os laudos demoravam até 30 dias para serem expedidos.

O balanço das atividades da Secretaria da Segurança Pública mostra que, quanto mais a Polícia usa o serviço de inteligência, mais eficiente é sua atuação.


Claro que a visão do autor da matéria é a visão do Governo sobre o assunto. Anuncia a redução de alguns tipos de crimes, em detrimento de todos os outros. Como estão os roubos ? e os homicídios ? estelionatos? furtos ? E o tráfico de entorpecentes ? Aumentou ou diminuiu ?

Além disso, me parece que os dados não consideram os registros de ocorrência que não foram feitos durante o período da greve, ou, pior, que foram feitos pela meganha ou pelo ministério público. Claro que esses não entrarão nas estatísticas da Polícia Civil.

No entanto, o que é dito com referência ao artigo 159 do CP – Extorsão Mediante Sequestro (conforme a nova ortografia…) está absolutamente correto.

É muito fácil, com uma leitura um pouco mais atenta, se concluir que os policiais da Divisão Anti Sequestro trabalharam muito, e com muita competência, para conseguir tal resultado. De fato, trabalhamos feito mouros. Em alguns casos, esquecemos da existência de algo chamado lar, de algo chamado família, e praticamente nos mudamos para a delegacia. Só saíamos da senzala para fazer alguma investigação, estourar algum cativeiro ou dar alguma cana. O resultado aí está. Ainda não perfeito, mas bastante satisfatório para a sociedade. E, claro, um prato cheio para o patrão usar na sua campanha.

Agora vem as perguntas que não querem calar: Desde que a Divisão Anti Sequestro começou a funcionar, com a obtenção destes resultados extraordinários, quantos policiais que lá trabalham e que foram responsáveis por tamanha diminuição na incidência deste tipo de crime foram promovidos por merecimento? Quantos serão, na próxima lista?

A resposta para a primeira pergunta é muito fácil: quase nenhum. Se compararmos com os maçanetas que conseguiram tais promoções, creio que o resultado será inferior a 1 por cento.

Quanto à segunda pergunta…Espero que as autoridades citadas por aquela matéria ajam em conformidade com o que declararam, e reconheçam o mérito dos policiais que trabalham nas unidades policiais por eles chefiadas.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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O POLICIAL CIVIL IDEAL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 02/01/2009

O POLICIAL CIVIL IDEAL

Recebi e-mail do meu amigo Vagninho, que fez comentários ao post “OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL”, publicado no blog Investigador de Polícia.

Amigo de longa data, o Vagninho, como eu, trabalhou no GARRA muito tempo atrás, quando ainda não existiam fardas na Polícia Civil.

Uma das considerações interessantes que ele fez é que “o bom ‘tira’ deve ser completo: na investigação e operacionalmente… E estamos pecando nos dois sentidos…”.

columboConcordo plenamente com o meu amigo. O policial civil ideal é aquele que, além de ter um bom conhecimento teórico e prático das ciências do Direito, da Sociologia e da Psicologia, também possui um raciocínio lógico bem desenvolvido e rápido, a capacidade de se comunicar em qualquer ambiente e com qualquer grupo social, uma cultura geral bastante abrangente, entre outras coisas… Além disso, deve ter um ótimo preparo físico, treinamento constante em defesa pessoal, armamento e tiro; deve ter suas condições psíquicas, psicológicas e emocionais sempre harmônicas com o serviço a ser desenvolvido.

O policial que reunir as características acima estará, com toda certeza, apto a participar de todos os atos de Polícia Judiciária necessários ao desempenho de suas funções, em qualquer unidade policial civil. Mas… O ideal nem sempre corresponde à realidade. Reunir todas essas características em uma só pessoa é praticamente impossível.

Ainda que fosse fácil, muitos são os impedimentos para que possamos chegar perto de sermos policiais civis ideais.

ramboOs impedimentos já começam no próprio concurso público. As famigeradas provas orais dão chance para que ótimos candidatos sejam excluídos do concurso em favor de apaniguados; as provas escritas, compostas por questões do tipo múltipla escolha, permitem aos que nada sabem utilizarem o método do chutômetro, e, se tiverem sorte, se saírem melhor que os que possuem um bom conhecimento dos assuntos. As avaliações física e psicológica se aproximam de uma piada de mau gosto – situação totalmente diferente daquelas efetuadas nos concursos para ingresso na Polícia Federal, por exemplo. Aliás, nunca tive notícia de que as avaliações física ou psicológica tenham sido motivo de reprovação de algum candidato nos concursos para a Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Continuam com os cursos de formação técnico profissional. Imaginar que 3 meses de curso – aproximadamente 45 dias úteis – sejam suficientes para a formação de um profissional da Polícia Judiciária é um acinte.

Supondo que o ingressante em qualquer uma das carreiras policiais civis (calça branca) reuna, antes de começar a trabalhar na Polícia, todas as condições para ser um “Policial Civil Ideal”, acima descritas, é quase certeza que em pouco tempo essas condições deixarão de serem satisfeitas. Ele não contará com qualquer apoio da instituição para a manutenção ou aprimoramento daquelas qualidades. Treinamentos praticamente não existem; cursos de atualização, quando os há, oferecem pouquíssimas vagas, e a falta de pessoal nas unidades policiais civis é tão grande que as chefias preferem não divulgá-los; quando, inadvertidamente, tomamos conhecimento de algum curso e dele demonstramos interesse em participar, nossos superiores hierárquicos, além de não nos darem qualquer apoio, ainda fazem de tudo para que mudemos de idéia, pois perderão um policial enquanto durar o curso. Apoio psicológico, então…Nem pensar…Como é que alguém pode ter ótimas condições psicológicas com as condições de trabalho que temos? Com a qualidade da assistência médica fornecida pelo Estado? Com o preconceito da sociedade que vê em nós um bando de corruptos e ladrões? Com a impossibilidade de fornecermos às nossas famílias condições dignas de vida? Com a dificuldade em termos uma convivência familiar normal, causada pela jornada de trabalho abusiva a que somos submetidos, sem qualquer compensação? Com o risco que corremos pelo simples fato de andarmos com uma carteira funcional no bolso? Com a falta de perspectiva de uma ascensão profissional baseada no real merecimento, não na puxação de saco?

desesperoAlém disso, os salários estão tão aviltados que perder um dia de bico para participar de algum treinamento ou curso não é uma possibilidade razoável para grande parte dos colegas.

Estamos muito longe do ideal, Vagninho…E, pelo andar da carruagem, continuaremos nos afastando cada vez mais.

Um grande abraço para você, Vagninho, e que 2009 seja muito melhor que o ano que se encerrou. Muita PAZ, muito AMOR e muita DIGNIDADE para você e todos aqueles que você ama.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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FHC, MIRIAM DUTRA e o PIG

Publicado por Flávio Lapa Claro em 01/01/2009

Disponível em: JOEL SANTANA 13

Colaborador: DINHO (valeu)

DOIS PESOS DUAS MEDIDAS: QUANDO DESCOBRIRAM A “LURIAN” FILHA DO LULA, O MUNDO VEIO ABAIXO, ALGUÉM SE LEMBRA, POR ISSO FAÇO QUESTÃO DE DIVULGAR O CASO “FHC” A LUTA CONTINUA COMPANHEIROS!!!

Mais uma história de manobra da imprensa supostamente imparcial e livre.

O CASO MIRIAM DUTRA

A jornalista Mirian Dutra, da Rede Globo, retorna do exterior na quarta-feira.

Ainda não se sabe se ela vai contar o porquê do recato e do silêncio nos 12 anos do seu exílio – a maior parte do tempo na vetusta Espanha.

Revendo meus arquivos encontrei o seguinte:

Há alguns anos, na cidade do Rio de Janeiro, foi realizado o seminário com o título ‘DEMOCRACIA, IMPRENSA E JUDICIÁRIO’ promovido pela Escola de Magistratura do Rio de Janeiro. Eis um registro: ‘O assunto que rendeu mais controvérsia ali foi a forma como a imprensa brasileira era condescendente com o Presidente da República…

A questão entrou em pauta quando um jurista citou como exemplo de Conivência Jornalística o romance do presidente Fernando Henrique Cardoso com a jornalista da TV Globo Miriam Dutra.

Muitos advogados presentes ao evento não sabiam do fato e reagiram com surpresa e indignação quando um jornalista afirmou que toda a imprensa brasileira sabe disso. E naqueles oito anos de governo ninguém tocou no assunto.

Muito antes de ser presidente, Fernando Henrique sempre foi um conhecido garanhão da política brasileira. As mulheres sempre ficaram encantadas com o seu charme e sua pose de estadista. Em Brasília, o escritório de FHC também era utilizado como garçoniére, para usar uma expressão da geração dele. Era no escritório – garçoniére que o então candidato à presidência da república mantinha encontros com uma de suas amantes, a correspondente da TV Globo em Brasília Miriam Dutra.

Quando FHC cresceu nas pesquisas para presidente, a ambiciosa jornalista, pensando no seu futuro pessoal e profissional, aplicou aquele velho golpe que louras oxigenadas costumam dar em pagodeiros e jogadores de futebol. Deu uma ‘chave ‘ em FHC e engravidou. A ardilosa jornalista passou a carregar um furo de reportagem em seu próprio ventre. Um filho daquele que seria o próximo presidente da República do Brasil.

Ao saber que a amante estava grávida, Fernando Henrique entrou em pânico. Afinal, como diria outro Fernando, aquilo era nitroglicerina pura. FHC tentou convencer a amante a fazer um aborto mas ela riu na cara dele.
A mulher não ia jogar fora o seu pé de meia, sua caderneta de poupança.. Foi aí que entrou em ação a operação abafa. Como ela era correspondente da Globo, imediatamente foi transferida para a Espanha, com um salário milionário, sem obrigação de fazer nada. Apenas ficar calada e quietinha, cuidando do filho bastardo do presidente.

Os advogados do seminário DEMOCRACIA, IMPRENSA E JUDICIÁRIO ficaram boquiabertos com a história. Afinal, como a moça é jornalista, toda a imprensa sabe desse caso.

O que surpreende é que nenhum órgão de imprensa publicou nada a respeito. É compreensível que o jornalismo da Globo não tenha tocado no assunto, até porque eles são parte envolvida neste escândalo. Sim, porque isso é um escândalo. Mas e a VEJA, que adora matérias sensacionalistas? E a FOLHA DE SÃOPAULO, que coloca o jornalismo acima de tudo? E a ISTO É, que adora publicar matérias escandalosas até sem confirmação? E a CARAS? E O DIA? E o ESTADÃO? E o JB? O que teria acontecido com os órgãos de imprensa nesse caso? Decidiram ser coniventes? Tiveram medo de noticiar o fato? Não quiseram tocar no assunto para evitar algum tipo de luta com a Globo? Ou simplesmente foram corporativistas?

Preferiram abafar o caso porque isso iria levantar uma questão que é muito cara à ética do jornalismo: a intimidade de profissionais do setor com os donos do poder.

Essas questões incendiaram a discussão sobre DEMOCRACIA, IMPRENSA E JUDICIÁRIO no Fórum do Rio. Nos corredores do fórum e nos bares do centro da cidade os advogados cariocas se dedicaram a fazer as especulações mais inusitadas. Alguns argumentaram que, o fato da amante e do filho de FHC serem dependentes econômicos do jornalismo da TV Globo, significa que o Presidente a República, durante seus oito anos de mandato foi refém da emissora do Jardim Botânico. E toda a imprensa brasileira foi cúmplice disso. ‘Deve ser por esse motivo que o Fernando Henrique foi tão generoso com a Globo, no caso do empréstimo do BNDES’, especulou um jovem advogado enquanto afrouxava o laço da sua elegante gravata Hermés. Um importante jornalista, presente ao evento, ainda soltou essa pérola: ‘Nem na época da ditadura militar a TV Globo foi tão favorecida pelo governo quanto na era FHC.’

Atualmente a jornalista Miriam Dutra vive na Espanha, com o filho caçula do ex-presidente. Uma funcionária do jornalismo global diz que às vezes ela liga para o Brasil a fim de fazer exigências, tratando a todos como se fossem seus empregados. ‘Ela se comporta como se fosse a verdadeira primeira dama!’

Os jovens advogados presentes ao Seminário se sentem traídos pela imprensa por não terem notícias do jovem herdeiro do imperador FHC. Eles dizem que gostariam de saber como vive o pimpolho agora, que deve ter algo em torno de dez anos. Será que ele torce pelo Real-Madrid ou pelo Barcelona? Eles também gostariam de saber também quanto a jornalista Miriam Dutra embolsou com esse golpe. E qual o saldo de sua conta na Suíça…

Waldir Leite – jornalista

Vejamos o que diz Kika Martins a respeito do caso:

‘Tomás Dutra Schmidt, filho não assumido de Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra Schmidt (a Miriam Dutra, ex-repórter do Jornal Nacional em Brasília), vive hoje com sua mãe e tia em um dos mais caros e sofisticados bairros da Europa, em Barcelona. Agora se vocês querem saber como isso nunca foi notícia na grande imprensa, leiam Caros Amigos – ano IV número 37 – abril de 2000. A matéria é assinada por Palmério Dória e outros. O título é: ‘UM FATO JORNALÍSTICO’. A pergunta é: quanto custou este silêncio?

A portaria do Ministério da Fazenda 04/1994, por exemplo, que isenta todos os meios de comunicação “e sua cadeia produtiva” da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] é só um começo de conversa. E o Proer da Mídia no final do ano 2000 custou US$3 bilhões ou US$ 6 bilhões, um ajuste de contrato. Agora bom mesmo é procurar no Siafi o quanto foi efetivamente gasto em propaganda no Orçamento Federal de 1994 a 2002.

Bom, acho que a conivência está, em parte, explicada. Mas que custou caro pra todos nós, isso é verdade. É por essa e por outras que a contribuição provisória (CPMF) foi reajustada no governo FHC: para cobrir isenções providenciais.

Até parece que todos nós, brasileiros e brasileiras, somos pais dessa criança…

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OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 31/12/2008

OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL

Ao revisar o artigo denominado “Aos pavões da Polícia Civil”, publicado no blog Investigador de Polícia, não resisti à tentação e saí pela web procurando definições de ELITE, para descobrir por qual motivo insistem em chamar o GARRA e o GOE de “grupos de elite da Polícia Civil”.

O que eles estão investigando ?

O que eles estão investigando ?

Antes de iniciar a pesquisa, a minha concepção de ELITE era: grupo composto pelos melhores em alguma atividade humana. Por isso, não me conformava quando alguém – principalmente os da estirpe do DATENA – designava aqueles que sequer exercem a atividade típica de Polícia Judiciária como sendo os melhores da Polícia Civil.

Apesar de não ter me aprofundado na pesquisa – artigos acadêmicos sobre o assunto existem aos montes – um dos artigos que li, que não pode ser chamado de acadêmico, torna bastante fácil a compreensão do assunto.

Reproduzo aqui a íntegra de uma breve discussão encontrada na Wikipédia, que me pareceu bastante consubstanciada pelo autor:


Elite (sociologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ir para: navegação, pesquisa

Segundo Thomas B. Bottomore, a palavra elite era usada durante o século XVIII para nomear produtos de qualidade excepcional. Posteriormente, o seu emprego foi expandido para abarcar grupos sociais superiores, tais como unidades militares de primeira linha ou os elementos mais altos da nobreza. Gaetano Mosca, pensador político italiano, foi o primeiro grande teórico da teoria das elites com sua doutrina da classe política. A Teoria das Elites foi plasmada no pensamento de Gaetano Mosca com sua doutrina da classe política; Vilfredo Pareto com sua teoria da “circulação das elites” e Robert Michels com sua concepção da “lei de ferro da oligarquia”.

Elite, de modo geral, pode ser considerado como um grupo dominante na sociedade. Especificamente, o conceito possui diversas definições. Para alguns autores, como Vilfredo Pareto, elite significa uma alternativa teórica ao conceito de classe dominante de Karl Marx. Pode também referir-se a um grupo situado em uma posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e econômica, como definido por Charles Wright Mills. Pode significar genericamente um grupo localizado em uma camada hierárquica superior em uma dada estratificação social. Pode ser o grupo minoritário que exerça uma dominação política sobre a maioria dentro de um sistema de poder democrático, tal como definido por Robert Dahl.

Elitepode ser uma referência genérica a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendido simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas ou econômicas.

Pode ainda designar aquelas pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da sociedade. Neste caso, elite seria um sinônimo tanto para liderança quanto para formadores de opinião.

Outra forma de identificar uma elite é aproximando-a da categoria intelectual da classe dirigente, ou seja, um intelectual orgânico, tal como definido por Antonio Gramsci. Neste caso, a idéia de formar opinião pública é substituída pela idéia de construção ideológica, entendida como a direção política em um dado momento histórico. Sob este aspecto, a elite cumpriria também o papel de dirigente cultural.

Atualmente, a palavraelite é normalmente entendida como a classe social com maior poder econômico, muito criticada pelo socialismo e por grupos de esquerda.


O artigo acima reproduzido condensa de forma bastante ampla as diversas definições que encontrei. Como eu imaginava, o GARRA e o GOE não se enquadram em NENHUMA DEFINIÇÃO de ELITE.

O grande problema em continuarem usando a expressão “grupos de elite da Polícia civil” para designar o GARRA e o GOE é a indução da população a erro. Até mesmo pessoas muito mais esclarecidas que o DATENA (existem às pencas) – até mesmo integrantes das elites, seja qual for o significado correto da palavra a ser adotado – não sabem distinguir as funções da Polícia Civil e da Polícia Militar. Jogam tudo em um mesmo saco e chacoalham…o que torna a Investigação Policial uma atividade ainda mais difícil e complexa do que seria normalmente.

Não é nada incomum uma vítima ou testemunha, ao ser ouvida na delegacia, ou mesmo na rua, deixar de informar fatos extremamente relevantes para a investigação ao policial que está encarregado da apuração de algum fato específico por não imaginar que o meganha ou o “policial de elite” para quem a informação já foi passada não tem nada a ver com a investigação do fato.

Qualquer semelhança NÃO É mera coincidência

Qualquer semelhança NÃO É mera coincidência

Também não é incomum os colegas da meganha e da elite policial civil meterem os pés pelas mãos, principalmente os delegados dos citados grupos que, ávidos pelos louros que porventura possam advir de uma cana (entrevistas para o DATENA, por exemplo), tentam, sem quaisquer condições para isso, fazer o que não sabem, ou seja, INVESTIGAÇÃO POLICIAL.

Tudo isso apenas reforça a minha convicção de que a existência dos chamados “grupos de elite da polícia civil” é uma aberração institucional e jurídica. E a atuação do DGP (ou Comandante Geral da Polícia Civil), inventando rondas e operações todos os dias, impedindo que os policiais que trabalham efetivamente com a investigação de crimes possam exercer a sua função, me faz repetir o que já afirmei uma vez: o atual DGP (ou CGPC, como queiram) seria um ótimo oficial da meganha. Mas precisa rever os seus conceitos para que a instituição por ele dirigida possa minimamente cumprir com as suas funções de Polícia Judiciária.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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CURSOS NA ACADEPOL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 31/12/2008

Abertas as inscrições para os cursos de:

Aproveitem…

Abraços

Flávio

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AOS PAVÕES DA POLÍCIA CIVIL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 30/12/2008

 

O DATENA, com seu infinito conhecimento jurídico, policial e sua cultura ilimitada, sempre explica para os seus telespectadores que aquele delegado que está participando do seu programa no momento é um dos melhores delegados de polícia do Brasil. Fico absolutamente surpreso ao ver seus eleitos… normalmente são aqueles que não fazem idéia do que seja um inquérito policial. Mas, andam fardados, e comandam os chamados grupos de elite da polícia civil…

PAVÃO

PAVÃO

Creio que mesmo que o DATENA um dia imaginasse quais são as funções constitucionais da Polícia Civil, ainda assim continuaria falando essas besteiras, pois o ego dos pavões precisa ser constantemente alimentado. Não existissem esses pavões a audiência daquele programa – e outros assemelhados – não seria a mesma. Espero que ao menos eles – os pavões - cobrem direitos de imagem.

Ocorre que esta relação promíscua de alguns policiais com a imprensa normalmente traz muito mais prejuízo à instituição que benefícios. Muitas investigações das quais participei foram prejudicadas por besteiras que algum pavão falou e não devia. O pior é que eles falam sobre coisas que não fizeram como se tivessem participado ativamente da investigação; pedem detalhes para os policiais que efetivamente participaram e os divulgam para quem quiser ouvir como se tudo fosse obra própria.

É um raciocínio típico da meganha: dada a cana, acabou o trabalho por alí. Se esquecem – ou não sabem – que existem parceiros do ladrão para prender; outros crimes do preso para investigar; provas a serem colhidas… e a boca aberta só consegue dificultar o trabalho dos que realmente fazem a Investigação Policial.

Mas o pior é quando revelam os detalhes da investigação. Isso é absurdo. Até mesmo o tira mais tolinho sabe que isso não deve ser divulgado. Mas os pavões não estão nem aí. Se o negócio é aparecer na TV, revelam até o telefone celular da própria genitora, se o DATENA achar que é importante para a “investigação policial” conduzida pelo seu programa.

Infelizmente não consegui o vídeo com os trechos da entrevista do Juiz FAUSTO DE SANCTIS, que foi ao ar ontem (29/12/2008), às 00:00 hs, em que ele discute a confidencialidade necessária e a responsabilidade da imprensa quando o assunto é Investigação Policial. No entanto, a matéria denominada “RAFAEL SERENO: DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DO JORNALISTA“, publicada no blog viomundo, discute exatamente esta parte da entrevista. Sugiro a leitura desta matéria, pois além de interessante, é bastante reveladora.

Já que santo de casa não faz milagres, espero que os pavões também a leiam, e aprendam alguma coisa com pessoas que não são policiais civis.

 

Abraços a todos

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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O DIA EM QUE O BRASIL QUEBROU

Publicado por Flávio Lapa Claro em 29/12/2008

Sempre que leio algo de que goste imensamente, sugiro aos colegas que também o façam. A minha visita vespertina diária ao blog Desabafo Brasil me presenteou com a pérola que reproduzo abaixo, extraída do blog Cidadania.com, de autoria do Eduardo Guimarães. Como não achei, no blog Cidadania.com, um link para o artigo (será que o Dr. Guerra pode me recomendar um oftalmologista de confiança ?), não resistí à tentação de reproduzí-lo aquí, na íntegra.

Creio que que o Daniel se sentiu exatamente como eu; e, como ele, vou recomendar a todos a leitura do Cidadania.com, que traz artigos interessantíssimos.

Abraços a todos
Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

O dia em que o Brasil quebrou

 

 Atualizado às 10h13 de 29 de dezembro de 2008

 

 

 

No último dia 22 de dezembro, o presidente da República, José Serra, comunicou aos brasileiros, em rede nacional de rádio e tevê, a moratória da explosiva dívida externa do Brasil. O discurso presidencial atribuiu nossa péssima situação econômica à crise econômica internacional, claro, mas os críticos do governo federal, entre os quais me incluo, debitam essa situação aos 14 anos em que os tucanos governam o país.

Ganha um picolé de chuchu quem acertar o número de vezes que o PSDB quebrou o Brasil. Na verdade, porém, o dia em que este país quebrou mesmo foi na segunda-feira passada. E de uma forma que tornará hercúlea a tarefa de juntar seus cacos.

O autor dessa proeza é o sucessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em 2002, sob o discurso de “mudança” apesar de também ser tucano como FHC, impôs a Luiz Inácio Lula da Silva sua quinta derrota numa eleição presidencial. Foi Serra que quebrou o Brasil bem quebrado como o presidente da República mostrou em seu pronunciamento supra mencionado.

Em minha opinião, o Brasil poderia ser um dos poucos países do mundo a resistir à crise surgida no mundo rico se Lula tivesse vencido a eleição do sucessor de FHC e hoje fosse o presidente da República. Certamente seu anunciado plano de diversificar os parceiros comerciais do Brasil, reduzindo a altíssima dependência dos EUA e da Europa em que sempre estivemos metidos, evitaria que mergulhássemos junto com o mundo rico numa crise dessa magnitude.

Mas essa tragédia econômica em que nos meteram foi apenas iniciada por FHC. Na verdade, foi consolidada de fato por Serra quando este tirou o Brasil do Mercosul, decretando assim,oficiosamente, a morte do bloco comercial sul-americano.

Nada disso teria acontecido, porém, se em 2006 Lula não tivesse perdido sua sexta eleição presidencial. Naquele ano, Serra se reelegeu graças à mídia e aos grandes especuladores internacionais como George Soros, que, como em 2002, conseguiram vender mais uma vez o conto da carochinha de que a escolha do Brasil seria entre “Serra ou o caos”.

A crise econômica de 2006, causada pelo mesmo ataque especulativo eleitoreiro que em 2002 assustou os brasileiros e os compeliu a votar em Serra pela primeira vez, novamente conseguiu eleger o tucano. Às custas de mais endividamento externo para suprir a fuga de divisas causada pelo tal “efeito Lula”, nossa dívida externa subiu ao explosivo patamar atual.

Caberia aos mesmos especuladores nacionais e internacionais e à mídia local, que agora perdem com a crise, refletirem que as manobras que fizeram para eleger Serra e FHC duas vezes cada um enterraram o país na sepultura que cavaram com suas mãos cobiçosas.

Lula tem dito, desde a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro, que, se tivéssemos diversificado nossas parcerias comerciais para além do eixo Estados Unidos – Europa, aumentando o comércio com a China (Ásia), com a África e com o resto da América Latina, abandonando a prioridade que a política externa vem dando aos negócios com o mundo rico desde sempre, não estaríamos agora afundando junto com os americanos e europeus, nem teríamos levado nossos vizinhos sul-americanos conosco.

As pesquisas de intenção de voto mostram que 84% dos brasileiros se dizem dispostos a votar em Lula para presidente em 2010, daqui a dois longos anos. “Turbinam” a pré-candidatura petista o salário mínimo de 70 dólares, o desemprego nas alturas, a violência e a criminalidade, variantes da revolta social que tem gerado saques a supermercados e pôs centenas de milhares em confronto com a polícia quando aquela massa humana marchou em direção ao Palácio do Planalto no mês passado.

E nem as pesquisas de intenção de voto para presidente me dão esperança. Em 2006, quando se acreditava que Lula finalmente chegaria ao poder, a campanha da mídia e dos especuladores internacionais vendeu à população que, se não escolhesse Serra, o país quebraria. George Soros alardeou novamente o bordão sobre “Serra ou o caos”. A mídia inventou mais escândalos contra Lula, como fez em 2002, em 1998, em 1994 e em 1989. Por que em 2010 seria diferente?

Estou cansado. Não agüento mais viver num país que há mais de um século de vida republicana se alterna entre crises e mais crises, e com um povo que se acovarda diante da chantagem dos tubarões das finanças nacionais e internacionais. Anuncio, pois, que este é o último post deste blog. Não agüento mais falar para as paredes. Só voltarei a escrever em 2010, se este país tomar vergonha na cara e eleger um governo que pare de matratá-lo. Até lá, não perderei mais tempo.

 

*

 

Sim, o texto acima é uma ficção, mas está fundamentado em possibilidades concretas. Em 2002, estávamos diante de uma encruzilhada. Quem decidiu experimentar uma alternativa aos grupos políticos de direita que sempre governaram o país foram uns dez por cento do eleitorado, que suplantaram os que pretendiam manter no poder os mesmos que governaram desde sempre.

As hipóteses que apresentei de medidas que teriam sido tomadas por um governo Serra são fundadas na realidade. Conforme diz hoje o colunista Keneddy Alencar na Folha de São Paulo, Serra é contra o Mercosul e a favor de maior interação comercial com o mundo rico. Se tivesse sido eleito em 2002, certamente teríamos quebrado com os americanos, e o Mercosul, à esta altura, não existiria mais.

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