INVESTIGADOR DE POLÍCIA

No momento de perigo, o cidadão pensa em Deus e na polícia; passado o perigo ele se esquece de Deus e execra a polícia.

OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL

Publicado por Flávio Lapa Claro em 31/12/2008

OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL

Ao revisar o artigo denominado “Aos pavões da Polícia Civil”, publicado no blog Investigador de Polícia, não resisti à tentação e saí pela web procurando definições de ELITE, para descobrir por qual motivo insistem em chamar o GARRA e o GOE de “grupos de elite da Polícia Civil”.

O que eles estão investigando ?

O que eles estão investigando ?

Antes de iniciar a pesquisa, a minha concepção de ELITE era: grupo composto pelos melhores em alguma atividade humana. Por isso, não me conformava quando alguém – principalmente os da estirpe do DATENA – designava aqueles que sequer exercem a atividade típica de Polícia Judiciária como sendo os melhores da Polícia Civil.

Apesar de não ter me aprofundado na pesquisa – artigos acadêmicos sobre o assunto existem aos montes – um dos artigos que li, que não pode ser chamado de acadêmico, torna bastante fácil a compreensão do assunto.

Reproduzo aqui a íntegra de uma breve discussão encontrada na Wikipédia, que me pareceu bastante consubstanciada pelo autor:


Elite (sociologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ir para: navegação, pesquisa

Segundo Thomas B. Bottomore, a palavra elite era usada durante o século XVIII para nomear produtos de qualidade excepcional. Posteriormente, o seu emprego foi expandido para abarcar grupos sociais superiores, tais como unidades militares de primeira linha ou os elementos mais altos da nobreza. Gaetano Mosca, pensador político italiano, foi o primeiro grande teórico da teoria das elites com sua doutrina da classe política. A Teoria das Elites foi plasmada no pensamento de Gaetano Mosca com sua doutrina da classe política; Vilfredo Pareto com sua teoria da “circulação das elites” e Robert Michels com sua concepção da “lei de ferro da oligarquia”.

Elite, de modo geral, pode ser considerado como um grupo dominante na sociedade. Especificamente, o conceito possui diversas definições. Para alguns autores, como Vilfredo Pareto, elite significa uma alternativa teórica ao conceito de classe dominante de Karl Marx. Pode também referir-se a um grupo situado em uma posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e econômica, como definido por Charles Wright Mills. Pode significar genericamente um grupo localizado em uma camada hierárquica superior em uma dada estratificação social. Pode ser o grupo minoritário que exerça uma dominação política sobre a maioria dentro de um sistema de poder democrático, tal como definido por Robert Dahl.

Elitepode ser uma referência genérica a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendido simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas ou econômicas.

Pode ainda designar aquelas pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da sociedade. Neste caso, elite seria um sinônimo tanto para liderança quanto para formadores de opinião.

Outra forma de identificar uma elite é aproximando-a da categoria intelectual da classe dirigente, ou seja, um intelectual orgânico, tal como definido por Antonio Gramsci. Neste caso, a idéia de formar opinião pública é substituída pela idéia de construção ideológica, entendida como a direção política em um dado momento histórico. Sob este aspecto, a elite cumpriria também o papel de dirigente cultural.

Atualmente, a palavraelite é normalmente entendida como a classe social com maior poder econômico, muito criticada pelo socialismo e por grupos de esquerda.


O artigo acima reproduzido condensa de forma bastante ampla as diversas definições que encontrei. Como eu imaginava, o GARRA e o GOE não se enquadram em NENHUMA DEFINIÇÃO de ELITE.

O grande problema em continuarem usando a expressão “grupos de elite da Polícia civil” para designar o GARRA e o GOE é a indução da população a erro. Até mesmo pessoas muito mais esclarecidas que o DATENA (existem às pencas) – até mesmo integrantes das elites, seja qual for o significado correto da palavra a ser adotado – não sabem distinguir as funções da Polícia Civil e da Polícia Militar. Jogam tudo em um mesmo saco e chacoalham…o que torna a Investigação Policial uma atividade ainda mais difícil e complexa do que seria normalmente.

Não é nada incomum uma vítima ou testemunha, ao ser ouvida na delegacia, ou mesmo na rua, deixar de informar fatos extremamente relevantes para a investigação ao policial que está encarregado da apuração de algum fato específico por não imaginar que o meganha ou o “policial de elite” para quem a informação já foi passada não tem nada a ver com a investigação do fato.

Qualquer semelhança NÃO É mera coincidência

Qualquer semelhança NÃO É mera coincidência

Também não é incomum os colegas da meganha e da elite policial civil meterem os pés pelas mãos, principalmente os delegados dos citados grupos que, ávidos pelos louros que porventura possam advir de uma cana (entrevistas para o DATENA, por exemplo), tentam, sem quaisquer condições para isso, fazer o que não sabem, ou seja, INVESTIGAÇÃO POLICIAL.

Tudo isso apenas reforça a minha convicção de que a existência dos chamados “grupos de elite da polícia civil” é uma aberração institucional e jurídica. E a atuação do DGP (ou Comandante Geral da Polícia Civil), inventando rondas e operações todos os dias, impedindo que os policiais que trabalham efetivamente com a investigação de crimes possam exercer a sua função, me faz repetir o que já afirmei uma vez: o atual DGP (ou CGPC, como queiram) seria um ótimo oficial da meganha. Mas precisa rever os seus conceitos para que a instituição por ele dirigida possa minimamente cumprir com as suas funções de Polícia Judiciária.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

4 Respostas para “OS GRUPOS DE ELITE DA POLÍCIA CIVIL”

  1. Anderson disse

    Interessante o seu artigo! Apesar de eu ter percebido logo de cara que o autor não passa de um esquerdista, resolvi ler até o final. Se dependesse do autor, não existiriam os chamados grupo de elite da polícia civil bem como a “meganha”. Se o senhor me provar que em qualquer polícia séria do mundo não há grupos de elite, uniformizados (caso do GOE),e não fardados, peço para sair hoje mesmo do GOE e irei ao DAS solicitar uma vaguinha. Quer dizer que a meganha, o GOE, o GARRA, atrapalham investigações? Investigação do quê? Que investigação a nossa Polícia Civil faz, com exceção do DHPP? Viramos meros fazedores de B.O. E por falar em B.O, o ano de 2008 foi muito proveitoso. Participei de inúmeras prisões, para infelicidade de alguns plantonistas.O GOE é uma das poucas opções, se não for a única, pra quem é honesto e gosta de caçar ladrão na rua. O resto é resto!!!

  2. Well….então vamos lá:

    Sinceramente, não sei qual é a definição atual de ser esquerdista. Se isso quer dizer que acho o PSDB prejudicial à saúde e que usarei de todos os meios ao meu alcance para diminuir a chance do patrão SERRA ou outro da mesma laia sere eleito Presidente da República, então sou esquerdista, sim.
    Quanto aos “grupos de elite da polícia civil”:

    Constituição da República Federativa do Brasil
    Cap. III DA SEGURANÇA PÚBLICA
    Art. 144 – § 4º Às policias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
    § 5º Às policias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil. (grifos meus).

    Como se pode ver pela simples leitura do texto, é um querendo fazer a função do outro.

    Realmente, se dependesse de mim, não existiram os chamados Grupos de Elite na Polícia Civil. Não da forma como existem hoje.
    Existiriam, sim, grupos de apoio especializados, como, por exemplo, a SWAT, que só trabalha quando é prá dar apoio na hora da cana. NÃO PARA FAZER PATRULHAMENTO OSTENSIVO FARDADO. Isso é coisa da meganha. POLÍCIA CIVIL FAZENDO PATRULHAMENTO OSTENSIVO FARDADO É, ALÉM DE DESVIO DE FUNÇÃO, UM DESPERDÍCIO DO DINHEIRO PÚBLICO. Além disso, ocupam recursos humanos e materiais que poderiam estar trabalhando naquilo que é a nossa função: POLÍCIA JUDICIÁRIA.
    Me lembro da criação do GOE… o grupo foi criado quando todos os DP’S tinham carceragem, com o objetivo de prestar apoio às delegacias em tudo que se referisse aos presos. Rebeliões, transporte e escolta aos pronto-socorros da vida, etc… Um dia ainda terei a pachorra de buscar a documentação da criação do grupo. De repente, algum iluminado achou que deveria fazer patrulhamento…
    Quanto às outras polícias “sérias” do mundo, se são realmente sérias – diferente das duas polícias do Estado de São Paulo – não extrapolam as suas funções. Não há como comparar os países que contam com apenas uma polícia para fazer todo o serviço – patrulhamento ostensivo E polícia judiciária. Mas quando existe uma polícia para cada função, se as instituições são realmente sérias, uma não invade a competência da outra. Se é realmente séria, seus integrantes se dedicam unicamente à função que lhes foi destinada, deixando que os outros façam o mesmo com as respectivas funções.
    Quanto à investigação – FUNÇÃO PRIMEIRA DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO – realmente está praticamente inexistente. Graças à mentalidade dos nossos superiores hierárquicos, que se esqueceram de qual é a obrigação dos policiais civis, e investem tudo nos chamados “Grupos de Elite”.
    O primeiro desmonte foi nas chefias dos distritos policiais. É uma pergunta que me faço TODOS OS DIAS:
    DO TOTAL DE BO’S CRIMINAIS DE AUTORIA DESCONHECIDA REGISTRADOS EM CADA DP, QUANTOS INQUÉRITOS SÃO INSTAURADOS? DESTES, QUANTOS SÃO RELATADOS POR AUTORIDADE POLICIAL DO DISTRITO COM ESCLARECIMENTO? QUANTAS PARTES DE SERVIÇO CADA DP PRODUZ POR MÊS ? Tenho certeza que a resposta será muito decepcionante.
    SE os recursos humanos e materiais investidos nos chamados Grupos de Elite fossem aplicados nos Distritos Policiais, creio que esse resultado seria muito melhor.
    Não é só o DHPP que faz investigação. O DAS trabalha, e muito. Dê uma olhadinha no meu post QUEM MERECE PROMOÇÃO, para ter uma idéia. Não sei quanto aos outros departamentos, mas o meu lado eu garanto.

    A meganha, o GOE e o GARRA atrapalham as investigações, sim. Se metem onde não são chamados. Principalmente quando alguns brilhantes policiais destes grupos resolvem fazer uma investigação de sequestro com uma viatura que mais parece uma árvore de natal e usando farda. Principalmente quando o P2 destes grupos levantam um vaporzinho com 200 g de pó e vão lá dar a cana, atrapalhando o trampo do pessoal do DENARC que demorou 6 meses para conseguir chegar no vaporzinho e, através dele, pretende pegar o patrão que distribui 100 kg por mês. Principalmente quando os superiores hierárquicos falam besteira na televisão. Principalmente quando nós, da investigação, pedimos apoio para uma cana e a imprensa toda vem de carona.
    Sou honesto. Gosto de libertar vítimas do cativeiro, e, SE POSSÍVEL, encanar os ladrões. Mas não arriscarei a vida da vítima pelo simples prazer de dar uma cana e ouvir a elogio da chefia pelo CEPOL. Quer coisa mais ridícula que a briguinha do NICO e do OLIN, para ver qual é o maior pavão ??? Quer coisa mais absurda que algum colega não poder pedir socorro pelo rádio pq os seus chefes estão brincando de dar os parabéns para quem simplesmente cumpriu a sua obrigação?
    Quanto ao GOE ser o último bastião da moralidade dentro da Polícia Civil, ouso discordar em gênero, número e grau. Honestidade não é uma questão de local de trabalho, mas de caráter. E um policial honesto o é em qualquer lugar… até mesmo no GOE.

    Paguei um pau para os policiais do GARRA e do GOE pela sua intervenção durante a nossa passeata. Foram heróis. Mas mantenho a minha posição que esses grupos NÃO DEVERIAM EXISTIR, da mesma forma que o reservado da meganha deveria ser proibido.

    Um grande abraço,

    Flávio Lapa Claro
    Investigador de Polícia
    DAS/DEIC

  3. Flávio Barcellos - GOE disse

    Bem colega, não estou aqui para criticá-lo ou ofendê-lo como alguns devem ter feito. Acho apenas que o senhor poderia tentar conhecer um pouco melhor o trabalho dos Grupos Operacionais, principalmente do GOE. Estes grupos não existem para fazer o trabalho da PM nem tampouco para investigar, coisa que raramente acontece na nossa polícia, seja em qual departamento for. O GOE faz parte do que é chamado Policiamento Preventivo Especializado. O senhor deve saber que a principal atividade do GOE era intervir em rebeliões nas cadeias quando estas existiam. Porém com o fim destas cadeias o GOE está se adaptando à nova situação de Grupo Operacional e criando uma nova identidade. Ainda estamos engatinhando se nos compararmos a outras unidades policiais pelo mundo afora. Porém estamos buscando nos profissionalizarmos cada vez mais, para que possamos apoiar policiais como você, que deve desempenhar com maestria sua função de investigador, em situações de maiores riscos à integridade física dos mesmos. Já participei de apoio à policiais do SORB e de outras divisões da PC onde houve necessidade de reforços, pois querendo ou não, o GOE está crescendo e melhorando em qualidade. Espero que em sua carreira cheia de brilho, não precise de nosso apoio, mas se precisar iremos com prazer auxiliá-lo em qualquer situação que exija um pouco mais de preparo físico ou poder de fogo. Agora gostaria de aproveitar a oportunidade para convidá-lo a conhecer a nossa base e o nosso trabalho. Sou policial integrante do Grupo 30 do GOE. Nosso Delegado Piloto, está com afastamento médico por ter se ferido em uma operação que realizamos, mas tenho certeza que será muito bem recebido pelo nosso encarregado e pelo Del. Piloto que responde pelo nosso Grupo atualmente.

    Abraços colega

    1*

  4. Agradeço o convite, e quando ouvir pelo CEPOL que o grupo 30 está no ar lhe dou um toque, vamos lá tomar aquele café. E retribuo: Quando quiser, dê uma passadinha pela Equipe B do DAS – Av. São João, 1247, 1º andar. Teremos o maior prazer em recebê-lo e à sua equipe. Não sei se quando isso acontecer o Jaiminho e o Silas estarão lá, pois foram baleados quando estávamos encanando um sequestrador.

    Já trabalhei no GARRA. Na época em que a Polícia Civil não usava uniforme. Dr. Taneguchi era o supervisor, Dr. Abdalla meu piloto… Sei como funciona…

    A ACADEPOL tem o nome de CORIOLANO NOGUEIRA COBRA. Grande policial. Grande professor. A biblioteca da ACADEPOL é um repositório das obras do Dr. Coriolano. Definiu com perfeição o PATRULHAMENTO PREVENTIVO ESPECIALIZADO, e especificou como deve ser realizado… Talvez fosse interessante revermos esse conceito à luz deste grande doutrinador, uma vez que não consegui encontrá-lo em nenhuma outra obra. Nem mesmo no atualíssimo MANUAL DE POLÍCIA JUDICIÁRIA…
    Se alguém souber de alguma outra obra que defina o tal do PPE, por favor, me informe para que eu possa me atualizar…

    Flávio, este blog existe para que o debate ajude a melhorar a instituição POLÍCIA CIVIL, e, como consequencia, prover a população de uma SEGURANÇA PÚBLICA à altura de suas necessidades. O debate franco é a melhor forma que posso usar, no momento, para atingir esse objetivo. Críticas, sugestões, gozações…são sempre muito bem aceitas.
    A contraposição às minhas idéias não me ofendem… ao contrário, me agradam, uma vez que é só através do debate que podemos aperfeiçoar os nossos conceitos.

    Gostaria de deixar claro que minha crítica quanto aos chamados “grupos de elite da polícia civil” é quanto à EXISTÊNCIA desses grupos, não aos policiais que lá trabalham. São vítimas da administração, tanto quanto eu.

    Um abraço,

    Flávio Lapa Claro
    Investigador de Polícia
    DAS/DEIC

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